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ENTRETENIMENTO

William Bonner é entrevistado no Conversa com Bial e revela que sofre ataques virtuais e quando sai na rua

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Na madrugada dessa quarta-feira, o apresentador do Jornal Nacional William Bonner, participou de uma entrevista no programa Conversa com Bial. O ancora pareceu visivelmente abatido enquanto conversava com Pedro Bial, e informou que seu estado de isolamento social não surgiu somente na pandemia. Ele se entende dês de 2018, sofrendo ataques virtuais e sendo hostilizado em lugares onde ia por conta de seu trabalho.

“Essa intolerância surgiu em um ambiente virtual, de uma maneira muito assustadora. Acompanhei de perto, era frequentador do Twitter e fui um dos primeiros entre colegas a abrir uma conta e eu não usava para o trabalho, usava para me divertir. Me diverti muito lá. Só que também acompanhei em um dado momento, uma mudança de ambiente, o que era uma diversão boba, infantil em muitos casos, virou um campo de batalha. Muito raramente entro na rede social. Entro, às vezes, por dever de oficio e, ainda hoje, me assusto com a bile, com o ódio que escorre nas palavras mal escritas, nas palavras cuspidas, mas é um ódio tão intenso, que a gente não sabe a que levará. A gente sai das redes sociais e vai para ruas e assiste a essa mesma incivilidade nas ruas, recordou ele sobre quando tudo começou.” Disse.

O jornalista disse que os ataques na rua e em estabelecimentos começou no ultimo ano eleitoral. E o obrigou a ficar mais cauteloso quando sai de casa, como se estivesse em uma verdadeira quarentena.

“Eu tive a oportunidade de ver e experimentar isso, sobretudo em período eleitoral. A cada eleição vai piorando. Minhas bochechas mostra que minha quarentena não começou há dois meses. Minha quarentena, eu diria, começou no último ano eleitoral, em 2018. Em 2018, a polarização política chegou a um ponto em que a minha presença em determinados locais públicos era motivadora de tensões. Percebi isso de uma maneira muito ruim, era dentro de farmácias, livrarias, ou mesmo na rua, na calçada. Dentro de padaria, de cinema…”

Bonner ainda disse que se sentiu constrangido e culpado pelo episodio:

“Eu fui verbalmente agredido, insultado, desafiado dentro de uma padaria em uma manhã de sábado no bairro da Lagoa, por uma cidadã embriagada, às 10 horas da manhã, que se viu no direito não apenas de me insultar em público, mas de fazer isso a um palmo e meio de distância do meu rosto. E eu não posso reagi a uma coisa dessa. Eu só podia dizer não faça isso e as pessoas em volta num constrangimento que não tem fim. Eu, no meu constrangimento, querendo me livrar de uma situação em que eu estou sendo alvo, eu me sinto culpado de estar sendo insultado na frente de outras pessoas e com isso estar estragando os dias de outras pessoas. Elas estão tomando café, comendo pão na chapa.”

Ele também afirmou entender que varias pessoas de categorias distintas, e que são um símbolo como ele, passem por esse tipo de situação. E fez uma comparação com o ex apresentador Cid Moreira.

“Eu não falo só de mim, falo de toda uma categoria profissional. Óbvio que eu tenho consciência de que eu sou um símbolo. O que para nós foi o Cid Moreira, eu sou hoje para alguns tantos milhões de brasileiros. Se eu sou o JN, eu sou o jornalismo da Globo, sou a Globo, sou o jornalismo, sou a mídia. Eu simbolizo muitas coisas para muitas pessoas que não me conhecem. Não sabem quem eu sou.”

Bonner disse também que muitas pessoas confundem a figura de apresentador com a pessoa por de trás das câmeras.  Indagando que ele é muito mais do que muitos vem diariamente todas as noites.

“Uma vez me perguntaram, quando frequentava a rede social, quem é o William Bonner real? É o da televisão ou da rede social? É o da televisão, da rede social, o que não está na TV e nem na rede social, O filho da dona Maria Luisa e do dr. Wiliam, o pai de trigêmeos, amigo e colega de redação. O pereba do jogo de futebol. Sou esse cara aí. Sou esses caras todos aí. Mas as pessoas não sabem.”

 

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